Vedanta é o nome da tradição de conhecimento registrada inicialmente nas Upanixades, antigos textos indianos vinculados ao final da literatura dos Vedas; por isso o nome Vedanta, literalmente “final dos Vedas“. De outro modo, o nome desta tradição também explicita seu objetivo, pois veda também quer dizer “conhecimento”, “sabedoria” ou “visão”. Assim, Vedanta é a tradição do conhecimento final, da sabedoria última. O último conhecimento a ser dominado, na cultura do hinduísmo, na qual o Vedanta está originalmente inserido, é o da libertação (moksha) da busca por felicidade ou da plenitude absoluta através das experiências que nos dão segurança, prazer e justiça. Depois das Upanixades, outros textos desenvolveram as ideias de Vedanta, como exemplo o Vedanta-Sutra, a Bhagavad-Gita e vários comentários e textos técnicos posteriores. De modo geral, Vedanta trata da noção de totalidade, de realidade e da identidade fundamental do sujeito.

Há diferentes tradições de Vedanta, com diferentes conclusões sobre alguns pontos dentro dos temas gerais. Uma destas vertentes é chamada advaita, literalmente “não-dual”, onde se percebe uma identidade fundamental entre o indivíduo que vive e o universo manifesto onde este indivíduo vive.

Neste sentido, concebe-se o sujeito que busca ser pleno como já sendo esta própria plenitude buscada. A questão está em compreender em que sentido se pode perceber uma categoria de realidade absoluta apesar de não haver um objeto sensível com qualidades absolutas.

A tradição de Vedanta consiste em um aprendizado para se perceber esta realidade não-dual, livre de limitações, como sendo o próprio fundamento do nosso eu e, ao mesmo tempo, proporcionar uma compreensão que nos fortaleça para lidar com a experiência dual e limitada. Este processo se dá basicamente através do estudo guiado da literatura do Vedanta, do refletir e questionar as propostas e do contemplar sobre esta “visão” apontada pelo processo.

O processo se desdobra principalmente através do questionamento das nossas frequentes fontes de identificação com os aspectos limitados do universo — nosso corpo, nossa personalidade, nosso status etc. Vedanta não pretende produzir ou modificar nada, nem mesmo estados alterados de consciência, embora o processo de estudo possa gerar mudanças práticas em nossa vida como consequência da compreensão do desejo de plenitude e do sentido em que podemos ser plenos.

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